Indústria News

Aeroportos caçam projetos comerciais bilionários após mudança de regra

Fonte: CNN Brasil (feed)

Os aeroportos operados pela iniciativa privada se movimentam para atrair empreendimentos comerciais bilionários após uma mudança nas regras das concessões que permitiu a assinatura de contratos mais longos para a exploração imobiliária de seus entornos. Shopping centers, hotéis, torres de escritórios, hospitais e até casas de espetáculos estão na lista de projetos buscados pelas atuais concessionárias de aeroportos. A “caça” foi intensificada com um novo programa, instituído pelo Ministério de Portos e Aeroportos em setembro do ano passado, que facilitou o estabelecimento de contratos com vigência superior à da própria concessão do terminal aeroportuário. Leia Mais Plenário do Cade aprova operação da Azul com a United Airlines Fundo Marinha Mercante garante R$ 5 bi para modernizar e ampliar portos Sem rotas definidas, Latam promete comprar 41 novos aviões neste ano Desde então, segundo o ministério, seis novos empreendimentos já foram protocolados. Eles se encontram em fase de análise técnica na pasta — que precisa dar aval às concessionárias — e estão espalhados por Brasília, Curitiba, Fortaleza, Galeão (RJ) e Vitória. Para a ABR Aeroportos do Brasil, associação que reúne as operadoras de 59 terminais, o setor vive o início de um novo ciclo de investimentos em “real estate”. “É um cenário positivo para a promoção dos aeroportos e das companhias aéreas, e indutor do desenvolvimento das cidades” , diz o CEO da entidade, Fábio Rogério Carvalho. Antes, a assinatura de parcerias comerciais estava limitada à duração das concessões. Isso acabava limitando, em muitos casos, o interesse de investidores para erguer projetos como shopping centers e torres de escritórios — que têm retorno de longo prazo. Basicamente, havia insegurança jurídica sobre o futuro dos empreendimentos: se a concessão de um aeroporto vai até 2037, por exemplo, o que acontecerá depois disso? Não havia garantia de que outra concessionária manteria os contratos firmados pela administração anterior. Com a nova portaria do ministério, os contratos comerciais agora poderão ter vigência de até 75 anos — 30 anos de concessão mais 45 adicionais. “Isso deu a tranquilidade necessária”, afirma Carvalho. Estratégias A Motiva (ex-CCR), que opera 17 aeroportos em todo o Brasil, mapeou pelo menos 50 áreas que podem ser exploradas em termos imobiliários. Hoje a receita comercial representa cerca de um terço do faturamento com o negócio aeroportuário — dois terços vêm das tarifas. Desde 2021, seguindo as regras em vigência, a empresa já havia celebrado seis grandes contratos. Com as mudanças efetivadas no ano passado, a expectativa é dobrar esse número até 2027. A Zurich Airport Brasil — que administra os terminais de Florianópolis, Vitória, Natal e Macaé (RJ) — afirma que a flexibilização do ministério para contratos mais longos ocorre em um “momento muito especial” do desenvolvimento imobiliário em aeroportos. O diretor comercial e de marketing da empresa, Danilo Sesiki, cita o potencial de Vitória na expansão de projetos do tipo e já vê oportunidades concretas de atrair empreendimentos. “Nós temos um total de 1 milhão de metros quadrados destinados ao desenvolvimento imobiliário” , observa. Para o diretor, a atração de investimentos locais e internacionais foi facilitada pela portaria. “Há geração de emprego, economia rotativa e aumento na arrecadação de impostos para a cidade. Hoje a gente fala de uma gama de empreendimentos muito grande, que está beneficiando o município” , afirma Sesiki. Segundo ele, o aeroporto de Vitória já atraiu cerca de R$ 2 bilhões em investimentos imobiliários. Diante da mudança de regras, poderia receber mais R$ 1 bilhão, gerando quatro mil empregos. O aeroporto de Confins (MG), administrado pela BH Airport, também se mostrou otimista com a possibilidade de contratos mais longos. “Com um ambiente regulatório mais claro e estável, fica muito mais fácil planejar projetos de maior maturação, trazendo taxas de retorno mais atrativas para os investidores” , afirma o gerente comercial da concessionária, Geovane Medina. “A partir dessa mudança, retomamos e aprofundamos conversas com players estratégicos que já vinham demonstrando interesse. E esperamos avançar para novas etapas em breve”. Em fevereiro, a BH Airport inaugurou um hotel junto ao terminal 1 de Confins, com cerca de 60 acomodações, que deve atender passageiros e tripulantes. Segundo a Fraport Brasil, concessionária que opera o aeroporto de Porto Alegre (RS) e o de Fortaleza (CE), após a mudança, quatro novas parcerias foram firmadas, sendo dois centros logísticos e dois hotéis. Em relação às receitas dos projetos, a empresa estima que o “real-estate” pode representar entre 3% e 5% do faturamento, assim que os projetos estiveram em etapas mais avançadas e em plena capacidade. “A medida está alinhada ao conceito de transformar a área do aeroporto em uma extensão das cidades, defendido pela Fraport Brasil tanto em Porto Alegre quanto em Fortaleza (CE), reunindo empreendimentos diversos, com opções de lazer, cultura, entretenimento e serviços para os moradores e turistas”, afirmou a Fraport em nota. Ainda no primeiro semestre, o aeroporto de Brasília deve abrir um shopping center com 60 mil metros quadrados de área construída, a 500 metros do terminal de passageiros. O centro comercial terá mais de 130 lojas, incluindo sete âncoras, dez restaurantes, seis salas de cinema e área de shows. Com mais de 60 mil m² de área construída, o shopping reunirá mais de 130 lojas, incluindo sete grandes âncoras, mais de 3 mil metros quadrados de academia (Cia Athletica), Food Hall (Mané Mercado), 10 restaurantes e seis salas de cinema – quatro delas VIP, uma maxscreen de 210m² e uma premium -, além de um exclusivo cinema a céu aberto.