China promete represália econômica se Europa adotar plano para defender indústria local
A China criticou nesta segunda-feira, 27, um plano da União Europeia para resguardar a indústria do bloco contra a forte concorrência do país asiático e prometeu adotar medidas de represália se a iniciativa for de fato adotada. A União Europeia apresentou em março suas regras Made in Europe para empresas que buscam acesso a fundos públicos em setores estratégicos como automóveis, tecnologia verde e aço, obrigando as companhias a incorporar um mínimo de componentes europeus. A proposta é parte de um esforço do bloco para recuperar sua vantagem competitiva, reduzir o declínio industrial e evitar a perda de empregos. O Ministério do Comércio chinês informou nesta segunda-feira que enviou comentários à Comissão Europeia, braço executivo do grupo, para expressar “preocupações sérias” sobre o que qualificou de “discriminação sistêmica”. “Se a União Europeia avançar com esta legislação e, portanto, prejudicar os interesses das empresas chinesas, a China não terá outra opção exceto adotar represálias para salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos de suas empresas”, afirmou a pasta em comunicado. Buy EU Várias empresas europeias expressaram preocupação com a concorrência desigual de seus rivais chineses, fortemente subsidiados pelo Estado comunista. Continua após a publicidade A proposta europeia tem como alvo os fabricantes chineses de baterias e veículos elétricos ao exigir que empresas estrangeiras se associem a companhias europeias e transfiram tecnologia quando se instalam em um dos 27 países do bloco. O chamado plano Buy EU , ainda em negociação, pretende direcionar parte dos mais de US$ 2,3 trilhões anuais em compras públicas para produtos fabricados localmente, com exigências como até 70% de componentes europeus em veículos elétricos. A meta é elevar a participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) europeu de 14% para 20%. Em paralelo, regras de auxílio estatal já foram flexibilizadas, permitindo financiamento a setores estratégicos nos países-membros, enquanto novas iniciativas ampliam o uso de subsídios, incentivos e compras públicas como instrumento de política industrial. O European Chips Act — um pacote de incentivos criado para reduzir a dependência externa e atrair fábricas de semicondutores para o continente —, por exemplo, mobiliza mais de US$ 49 bilhões em investimentos públicos e privados até 2030, com o objetivo de dobrar a participação europeia na produção global de chips, hoje em torno de parcos 10%. A Câmara de Comércio Chinesa na União Europeia já advertiu que o plano representa uma guinada em direção ao protecionismo, o que afetará a cooperação comercial entre o Velho Continente e a China. Publicidade
