Guerra no Irã cria momento difícil para a indústria brasileira, diz diretor da CNI
A indústria brasileira convive com uma série de desafios no plano doméstico. A taxa básica de juros de 14,75% ao ano e os demais componentes do “custo Brasil” — tudo aquilo que torna os negócios no país particularmente caros — não são problemas exclusivos de 2026. Somou-se a tudo isso a guerra no Irã, que torna a vida da indústria ainda mais difícil, aponta Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Estamos em um momento difícil para a indústria nacional por causa da guerra”, disse durante o VEJA Fórum de Infraestrutura , nesta sexta-feira, 27, em São Paulo. O executivo chamou atenção para o custo da energia elétrica e do gás natural no Brasil, que já eram caros antes da guerra e devem sofrer aumentos de preço. A CNI classifica os preços do gás natural brasieliro como “os mais elevados do mundo”, de modo que o consumo industrial de gás estaria estagnado há 10 anos. Um levantamento da entidade aponta que o custo do gás natural no Brasil é equivalente a quase o dobro do que costuma ser pago na Espanha, além de seis vezes maior que o preço do gás canadense, a título de comparação. “O gás natural é um grande problema para a indústria”, diz Muniz. No lado da energia elétrica, a CNI critica o fato de que impostos e encargos representam 45% do preço total. O “custo Brasil” preocupa os industriais brasileiros há décadas. Segundo o diretor da CNI, ele gira em torno de 1,7 trilhão de reais por ano — que deixam de ser faturados pelas empresas. Excesso de burocracia, custos com licenças, impostos elevados e energia cara são alguns exemplos de problemas trazidos durante o evento de VEJA. Como resultado de uma série de desafios, o Brasil passa por um processo de desindustrialização, lembrou Muniz: “A gente fica muito preocupado com o que vai acontecer no ambiente da indústria nacional”. Apesar das dificuldades, o executivo celebrou o aumento do investimento em infraestrutura em anos recentes. A composição desse investimento, com 70% dele vindo do setor privado, é animadora. “A boa notícia é que quem tem sustentado o investimento em infraestrutura é o setor privado”, diz o representante da CNI. Ele argumenta que o primeiro passo para destravar os investimentos privados foi a Lei de Concessões, de 30 anos atrás. Hoje, algumas das políticas públicas que deveriam ser prioritárias são a ampliação dos modais — com investimentos em ferrovias e hidrovias –, a autonomia financeira de agências reguladoras e a continuidade do amparo do BNDES ao setor, segundo a entidade que reúne a indústria. Publicidade
