Lagoa Mirim deve ser a primeira concessão hidroviária do país
A hidrovia Lagoa Mirim deve se tornar a primeira concessão hidroviária do país, segundo fontes envolvidas no projeto. O governo federal decidiu integrar a modelagem aos projetos de concessão de canais de acesso portuário no Rio Grande do Sul, em uma tentativa de acelerar o processo. A estratégia surge após sucessivas revisões nos estudos da hidrovia, que passam por atualizações desde 2024. Apesar de ainda depender de etapas como consulta pública e análise do TCU (Tribunal de Contas da União), a avaliação interna é de que o projeto reúne condições mais favoráveis para avançar em relação a outras iniciativas do setor. O modelo adotado inclui a concessão de acessos aquaviários aos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, além de trechos da Lagoa dos Patos, Lago Guaíba e rios como Jacuí, Caí, dos Sinos e Gravataí. Atualmente, essas estruturas estão sob gestão da autoridade portuária estadual. O empreendimento prevê cerca de R$ 134 milhões em investimentos. Leia mais Cidade paulista avança no saneamento e prevê R$ 1 bi em investimentos Governo abre propostas para dragagem da hidrovia Lagoa Mirim, no RS Entenda quais são os desafios para navegar em segurança em Ormuz Enquanto isso, outros projetos hidroviários considerados prioritários pelo governo enfrentam obstáculos. A hidrovia do Paraguai, por exemplo, ainda é tratada oficialmente como a principal aposta do Ministério de Portos e Aeroportos, mas sofre com entraves internacionais. Segundo apurou a CNN, um dos impasses envolve a cobrança de pedágio por parte da Argentina em trecho compartilhado com Brasil e Paraguai, o que tem gerado tensão diplomática e atrasado o avanço da concessão. No caso da hidrovia do Madeira – considerada a mais avançada e inicialmente cotada para ser a primeira a ir a leilão – há oposição de lideranças políticas da região Norte, como os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM). Braga afirmou à reportagem ser contrário ao projeto, mas não detalhou os pontos de divergência. Enquanto o projeto do Tapajós sofreu reveses após mobilizações de lideranças indígenas contra a dragagem, no final do ano passado. Com isso, o governo suspendeu o decreto que trata da concessão, o que foi visto com maus olhos pelo de hidrovias, apesar da atitude não travar o processo de estudos para a concessão. Por sua vez, Tocantins e Barra Norte seguem em fase inicial de estudos e, por ora, sem previsão concreta de leilão. Diante desse cenário, a expectativa do governo é avançar com projetos considerados mais “maduros”, como o da Lagoa Mirim. A expectativa é que a concessão garanta maior previsibilidade de navegação, com manutenção contínua dos canais e melhoria das condições logísticas ao longo de todo o ano.
