Ovo de páscoa com menos de 25% de cacau não é chocolate de verdade; entenda
Os tradicionais ovos de Páscoa consumidos durante a data especial muitas vezes podem impactar a saúde do consumidor. Isso está ligado, entre outros fatores, ao teor de cacau no produto. Segundo uma nutricionista ouvida pela CNN Brasil , quanto menor for essa quantidade, pior é a qualidade nutricional do chocolate. De fato, em março, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece regras para a composição e a rotulagem de produtos derivados de cacau, como chocolates e cacau em pó. A proposta também cria a categoria “chocolate doce”, caracterizada por conter no mínimo 25% de sólidos totais de cacau , sendo 18 pontos percentuais de manteiga de cacau e 12 pontos percentuais de sólidos isentos de gordura. A adição de açúcar e gordura pelas fabricantes, com o intuito de compensar esse teor, tornam esses produtos mais calóricos e menos nutritivos, segundo Simone Spadaro, nutricionista da UPA Vila Santa Catarina, gerida pelo Einstein Hospital Israelita. Leia Mais Como fazer ovo de Páscoa em casa? Veja 5 dicas de especialistas Ovos de Páscoa podem custar mais que dobro de tabletes, aponta Procon-SP Ovos de Páscoa: preços seguem pressionados mesmo com cacau nas mínimas “Por outro lado, chocolates com maior teor de cacau (≥ 50% a 70%) geralmente possuem: menor quantidade de açúcar e maior poder de saciedade”, acrescenta ela. “Importante destacar: mesmo com maior teor de cacau, o chocolate não deixa de ser um alimento calórico e deve ser consumido com moderação. De acordo com Simone Spadaro, algumas informações importantes sobre a composição do chocolate podem não ser claramente apresentadas no rótulo, o que significa um alerta para o consumidor na hora de escolher o produto. “Alguns pontos relevantes podem não estar claros para o consumidor como o percentual real de cacau, que nem sempre é informado de forma evidente, o tipo de gordura utilizada, já que pode haver substituição da manteiga de cacau por gorduras vegetais mais baratas, açúcares “disfarçados” com nomes como xarope de glicose, maltodextrina e açúcar invertido, além da quantidade exata dos ingredientes, uma vez que a lista é obrigatoriamente em ordem decrescente, mas não informa proporções exatas”. Pensando nisso, a especialista deu algumas dicas ao consumidor de como analisar a embalagem e escolher um ovo de Páscoa mais saudável. Lista de ingredientes curta: Ideal: cacau, manteiga de cacau, açúcar (em menor quantidade), lecitina; Cacau como primeiro ingrediente: Se o açúcar aparecer primeiro, o produto tende a ser de menor qualidade; Teor de cacau ≥ 50% (ideal ≥ 70%): Melhor perfil nutricional; Evitar “gordura vegetal”: Prefira produtos com manteiga de cacau; Atenção aos recheios: Ovos recheados geralmente contêm mais açúcar, gorduras e aditivos. Spadaro ressalta que a falta de clareza nos rótulos impacta as escolhas alimentares dos consumidores. “A rotulagem pouco clara pode levar a escolhas inadequadas como a falsa percepção de saúde com termos como “premium”, “artesanal” ou “intenso”, que não garantem qualidade nutricional”. Ela complementa que “mesmo com maior teor de cacau, o chocolate não deixa de ser um alimento calórico e deve ser consumido com moderação”. Chocolate vicia? Veja mitos e verdades sobre o doce
