Indústria News

Remédios para emagrecer estão travando o crescimento da indústria de alimentos, aponta consultoria

Fonte: Veja

O avanço dos medicamentos à base de GLP-1, como os utilizados para perda de peso , está provocando uma mudança estrutural no consumo alimentar e pode levar a indústria de alimentos a um cenário de estagnação nos Estados Unidos. Após décadas de crescimento médio de 0,7% ao ano no consumo calórico, a demanda no país deve ficar praticamente estável até 2035, variando entre retração de 0,29% e alta de 0,32%, segundo análises da L.E.K. Consulting . A desaceleração projetada para o mercado americano é explicada por dois fatores principais: o enfraquecimento do crescimento populacional e a redução da ingestão média de calorias por pessoa, impulsionada pelos GLP-1. Historicamente, o aumento do consumo total nos Estados Unidos foi sustentado sobretudo pela expansão demográfica, enquanto o consumo per capita permaneceu praticamente estável . Os efeitos desses medicamentos sobre o comportamento alimentar já são observáveis em estudos internacionais. Pesquisa da Universidade de Cornell indica que usuários de GLP-1 reduzem o consumo de alimentos em 5,3% após seis meses de uso , sinalizando uma mudança relevante na demanda individual. No Brasil, porém, o impacto ainda é incipiente. De acordo com a plataforma de análise de dados Scanntech, o efeito agregado sobre o consumo total segue limitado no país, em razão da baixa penetração desses medicamentos. Ainda assim, já há mudanças no padrão de compra, com retração em categorias mais calóricas e crescimento de produtos associados à nutrição e performance, como whey protein e iogurtes proteicos . A transformação altera também a lógica de consumo, com maior foco na qualidade nutricional das calorias. Consumidores passam a priorizar alimentos ricos em proteína, fibras e micronutrientes, enquanto perdem espaço itens com baixo valor nutricional. Esse movimento favorece a “premiumização” e o desenvolvimento de produtos mais funcionais, com maior densidade nutricional em porções menores. Ao mesmo tempo, relatório da L.E.K. Consulting aponta que o uso dos GLP-1 impulsiona uma nova dinâmica na economia do bem-estar. A redução da ingestão alimentar aumenta o risco de perda de massa muscular, tornando o treinamento de força parte essencial do tratamento. Isso amplia a demanda por academias, programas de atividade física e serviços de acompanhamento, além de fortalecer o mercado de nutrição funcional . Nesse contexto, empresas de alimentos, varejo e saúde passam a disputar espaço em uma jornada integrada de consumo, na qual o crescimento dependerá menos do volume total consumido e mais da captura de valor por caloria. Publicidade